segunda-feira, 31 de outubro de 2016

12 costumes americanos em relação às crianças

Sim, hoje eu vim falar dos costumes americanos que observei e acho interessante. Concordo com alguns, outros não.. mas de qualquer forma, é sempre interessante reparar essas diferenças.

Há diferenças em todos os aspectos. Neste post vou comentar em relação ao âmbito familiar.

1. Os pais são muito atenciosos com os filhos.
Esse vai ser o maior tópico pois é o mais importante. Esse assunto vai acabar sendo polêmico, mas vamos lá. Lembrando que, claro, cada um tem sua opinião sobre isso e as minhas conclusões são baseadas na família que EU vivo. Os pais em geral são muito atenciosos e acaba parecendo que estão mimando os filhos, mas na verdade é a forma que eles educam. Sim, eles mimam os filhos algumas vezes, mas eu interpreto (pelo menos onde eu vivo) como uma forma de carinho. Por exemplo, minha host mom pergunta pra filha dela "você quer água ou suco de laranja?", quando claro, na verdade ela é mãe e ela pode muito bem escolher o que sua filha deve beber no almoço, mas essa opção que ela dá à crianca é uma forma de criá-los independentes, de formar suas próprias vontades. Vejo au pairs comentando que os pais não dizem não e isso realmente é um problema. Às vezes o lado doce e paciente deles se excede, mas estou comentando essa questão da paciência mais como um lado positivo pois esse problema de não dizer não não ocorre aqui em casa. Gosto muito de como meus host parents educam os filhos deles porque vejo aqui muito amor, respeito e eles sabem impor limites aos filhos. Sempre rola não e um discurso mais rígido num tom de voz alterado quando a mais velha (de 4 anos) não obedece. E dessa forma, as crianças que são criadas a base dessa paciência são mais doces, pois os pais não gritam com os filhos, não os forçam a fazer o que não querem, não os controlam pela chantagem, mas pelo diálogo. Minhas crianças são doceis, tranquilas e educadas, não guardam mágoa e não são vingativas, tudo o que eu não era quando criança, infelizmente, então me surpreendi muito quando cheguei. Percebo até na forma como eles criam os bebês, que toda essa autonomia e liberdade que eles dão à criança, deixando-as à vontade para realizar suas vontades, acabam tornando-as mais tranquilas e independentes. Eu, que fui criada em um ambiente diferente e venho de uma cultura diferente, percebi o choque entre o meu modo de tratar as crianças e o deles. A princípio, me senti contrariada. Acreditava que a minha forma, controladora e rígida, era mais eficiente, mas hoje mudei muito meu pensar. Vejo que carinho e paciência funcionam melhor.

2. As bibliotecas são lugares frequentados.
Principalmente por crianças. Eu não havia me surpreendido por já ter morado na Europa, onde as bibliotecas são maravilhosas. Mas fato é que são infinitamente melhores que as bibliotecas no Brasil (se é que existem ainda). Há diversas atividades para crianças e bebês, como aula de música e storytime, que são aulas de 30 minutos com leituras infantis, fantoches e muito entretenimento para as crianças. Há também jogos, brinquedos, legos, área com fantoches, computadores, entre outros. Minha parte favorita é que há locação de dvd's e cd's grátis.

3. Leitura para crianças é um hábito.
Todas as noites, como nos filmes, os pais leem uma história para as crianças ao levá-las para a cama, inclusive bebês também recebem essa atenção. Eu acho isso incrível. E cada criança tem uma estante com váaaarios livros em seus quartos, que elas colecionam desde bebês. Esse incentivo à leitura é demais!

4. Toda criança tem uma mini cozinha.
Seja para incentivá-los a cozinharem ou não, isso é fato. Não vi uma casa de família americana aqui que não tenha cozinha para as crianças. Os pais criam mini chefs.

5. Toda criança tem fantasia de personagens em casa.
E muitas vezes passam o dia todo vestindo elas. Quem gosta bastante de filmes hollywoodianos, provavelmente já deve ter reparado nas menininhas que passam o dia vestidas de princesas com suas coroas dentro de casa, inclusive "high heels" elas tem. Essas fantasias podem ser facilmente encontradas em supermercados como o Walmart ou Target.

6. Crianças americanas almoçam snacks.
Sim, elas comem o que eu considero "besteira" no almoço. Aqui em casa os pratos principais no almoço para as crianças são quesadillasandwich e o famoso miojo, em último caso, leftovers, que são os restos do jantar e, portanto, o prato mais saudável. Sem contar o sanduíche de pão com peanut butter que muitas famílias por aí dão pras crianças no almoço, é que nesse caso aqui em casa eles são uma exceção, as crianças não comem peanut butter.

7. No verão as crianças saem de biquini às ruas.
Ok, vou explicar melhor. Nos Estados Unidos há várias fontes nas ruas que, durante o verão, são ligadas para as crianças se divertirem e refrescarem na água. TODO lugar tem esse tipo de fonte e você sempre se surpreende quando inesperadamente, como em um festival de música que fui, vê que os pais já vão preparados levando biquínis para as crianças. Como o inverno é muito rigoroso, o verão é uma estação muito esperada e valorizada aqui!

8. Todos os brinquedos são iguais.
Acho que au pairs irão entender o que quero dizer. Não sei se porque no Brasil nunca tive muito contato com crianças e brinquedos por não ter tido nenhuma muito próxima de mim no âmbito familiar, mas quando fui comprar o presente de aniversario da minha kid em um supermercado bem estimado aqui (Target), me surpreendi ao ver que a maioria de seus brinquedos vinham de lá. E quando fui na casa de uma amiga vi que muitos dos brinquedos de suas kids eram iguaizinhos os da minha, e ainda vendo snapchats de outras au pairs percebi isso também. Resumindo, quero dizer que muitas famílias compram sempre as mesmas marcas de produtos e dos mesmos lugares (Target ou Walmart). Me recordo agora da Fisher Price que toda au pair deve conhecer.

9. Bebês só comem comida de bebê do Walmart.
Isso é uma das coisas que não concordo e acho um absurdo. Todo bebê aqui, e digo todo porque vejo muito snapchat de au pair e sei que os outros bebês também comem a mesma papinha que o meu: papinha do Walmart. Aqui nos EUA é muito difícil mães cozinharem pros bebês até mesmo pela rotina corrida, mas principalmente porque se aqui tem tudo pronto, pra que se dar ao trabalho de fazer né? Eu ainda moro em uma familia diferente (e é claro que todos os tópicos aqui tem exceções porque não se pode generalizar nada), porque minha host mom sempre cozinha uns legumes, bate e congela pra que eu possa esquentar e dar pra bebê, mas geralmente é a "bendita" papinha. Amassar banana e outras frutas que nem a gente faz no Brasil jamais, pelo menos não aqui em casa. Pra quê se tem papinha de frutas, nao é? E vários outros 'snacks' porcarias do Walmart, como chips (lil' crunchies), por exemplo. A maioria dos produtos de bebês são da marca Gerber.

10. Restaurantes sempre tem opções para entreter as crianças.
Em todos os restaurantes que fui até hoje com minha host family sempre vejo o estabelecimento entregando giz de cera e uma folhinha de atividades para as crianças. Acho isso muito legal, pois eles tem uma atenção especial às crianças e no Brasil não são todos os restaurantes que dão esse atendimento.

11. Gominhas são snacks para criancas.
Diz a embalagem que essas gominhas são feitas com frutas de verdade, e até mesmo o nome é "Fruit snacks", o que significa que é um alimento saudável, nao é mesmo? Isso é outra coisa que não me conformo. As crianças comem isso de snack e as mães realmente acreditam que é como se substituísse uma fruta..

12. Minnie Mouse, Sofia e Doc McStuffins são as favoritas das meninas.
Tudo bem, isso não é nada de diferente, e só uma curiosidade. Assim como no Brasil temos nossos próprios personagens (como Sítio do Pica Pau e Turma da Mônica) e muitas vezes emprestamos alguns dos hollywoodianos também (como as princesas e os personagens de Frozen), aqui personagens que fazem muito sucesso por serem de desenhos animados da Disney além da vencedora Elsa, são a clássica Minnie (a queridinha de todos), Sofia (uma princesa que não conhecia pois não é da minha época) e essa tal doutora McStuffins.

domingo, 30 de outubro de 2016

12 músicas que tocam nas festas/bares nos EUA

Quem mora nos Estados Unidos com certeza deve conhecer todas essas músicas. Elas são antigas mas tocam em todo lugar. Os americanos adoram e todo mundo canta junto.

1. The Cupid Shuffle
Todo mundo dança o passinho nas baladas.. É muito legal! No cruzeiro que fiz esse ano tocou demais essa música! De dia, de noite, na praia, no navio..  O ritmo "Now walking by yourself" não sai da sua cabeca..
https://www.youtube.com/watch?v=h24_zoqu4_Q

2. Cha Cha Slide
Essa é bem parecida com a música de cima porque elas tem os passinhos um pouco em comum. Também toca demais e o passinho é um pouco mais complexo. Quando fui pra Vegas lembro que essa música estava tocando em uma loja de chocolates e as funcionárias dançando o passinho e todo mundo fazendo rodinha em volta pra ver. Eu até participei da dança e ganhei um chocolate no final! haha
https://www.youtube.com/watch?v=wZv62ShoStY (vídeo oficial)
https://www.youtube.com/watch?v=gIdLRftdrH8 (versão remix)

3. All I Do Is Win
Essa é uma das minhas favoritas porque tem uma batida bem legal e todo mundo canta junto "Everybody hands go UP.. and they say yeahh"..
https://www.youtube.com/watch?v=FYC1k9MEK48

4. It's Tricky
Essa musica é bem estilo anos 70 e bem animadinha. Não tem como não dançar ao som de "It's tricky it's tricky tricky tricky.."!
https://www.youtube.com/watch?v=l-O5IHVhWj0

5. Get Low
Essa tem uma batida mais black e todo mundo faz os bracinhos também, como você pode ver no vídeo oficial.. "to the windowww to the wall". A versão suja é a que toca nas baladas e tem o "motherfuckers". Na versão oficial da música eles cortam essa palavra.
https://www.youtube.com/watch?v=IYH7_GzP4Tg
https://www.youtube.com/watch?v=HtXziBV2cWs (versão "suja")

6. Ride
Essa também toca demais e tocou na balada do cruzeiro todos os dias. O que é legal é que todo mundo grita "Hey, must be the money".
https://www.youtube.com/watch?v=RtSDWq6HsJE

7. Ignition
Essa é minha favorita. Tem um ritmo bem lento, mas a letra por ser meio rap é impossível de cantar hahaha. Na hora do trenzinho todo mundo acompanha com as mãos fazendo o "choo choo beep beep".
https://youtu.be/y6y_4_b6RS8

8. All The Way Up
Na verdade essa é a única música recente porque eu não sabia que era desse ano, mas não pode deixar de entrar pra lista porque ela também tá em TODAS.
https://www.youtube.com/watch?v=y2ak_oBeC-I

9. Shake ya ass
Eu conhecia essa música do filme Garota Veneno e adorei quando ouvi na balada.
https://www.youtube.com/watch?v=M7B5KwXHFtw 

10. Superman
Sim, essa música e a dancinha não é famosa só no Brasil. Aqui também toca e todo mundo dança junto.
https://www.youtube.com/watch?v=8UFIYGkROII

11. Everybody
Se você não conhecia nenhuma das músicas até agora, com certeza você conhece essa e a próxima! Quem disse que os americanos esqueceram os Backstreet Boys? Aqui eles tocam sempre e todo mundo canta junto!
https://www.youtube.com/watch?v=6M6samPEMpM

12. Wannabe
Quem não conhece esse clássico né? Eu cantei essa música com umas americanas no bar-karaoke do cruzeiro e foi muito divertido. Toca sempre em todo lugar!
https://www.youtube.com/watch?v=gJLIiF15wjQ

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

6 meses de USA


Fala galera,

Eu sei, estou atrasadíssima. Sei que sumi por 5 meses, dei notícias sobre o embarque e a chegada e nunca mais voltei. E é justamente sobre isso que quero falar hoje.

A ideia inicial do blog era relatar cada PASSO desse processo de ser uma Au Pair. Digo processo porque mesmo que eu já esteja aqui, esse intercâmbio ainda está em processo, está acontecendo. E eu, como uma boa blogueira, deveria estar relatando tudo pra vocês: curiosidades, estranhamentos, novidades, saudades, amizades, viagens, etc. Mas como péssima blogueira que sou apenas me acomodei e deixei o tempo passar.

Na verdade esse sumiço tem explicação. Eu não tenho outra palavra pra expressar o que é viver aqui, além de "paz". Acho que por ser um sonho sendo realizado eu me sinto satisfeita e tudo está correndo perfeitamente. Por essa sensação de dever cumprido e realização, acabei deixando de lado essa vontade de narrar a minha história e acabei só curtindo, o que não deixa de ser bom né?

Vivi cada segundo até agora intensamente, sem preocupações, sem planejamentos, sem pressa.. cada segundo passando naturalmente e sendo apreciado. Cada dia aqui foi uma benção. A cada manhã que acordo reconheço a minha sorte e agradeço por estar aqui. Sei que muitos acabam vendo pelas fotos a minha vida e podem até desejar fazer o mesmo, mas nem todos vão atrás, ou pelo menos tem essa coragem.

Durante todos esses meses vivendo aqui observei muito sobre o estilo de vida americano, o famoso "American way of life". Sim, ele realmente existe. E sim, é incrível perceber os aspectos diferentes e comparar cada detalhe do que eles fazem diferente da gente. Isso é o mais interessante entre países: as mínimas diferenças que notamos em aspectos do cotidiano e culturais (para isso ainda vou fazer um post sobre todas as curiosidades). Eu diria que americanos podem facilmente ser definidos pela praticidade. Aqui tudo é rápido, pronto e fácil. Mas vamos deixar pra nos aprofundar a esse tema num próximo post.

Venho pra dizer que durante todo esse tempo muito aconteceu. Sim, tenho muitas novidades! Já senti saudades, já senti solidão, já cumpri objetivos, alcancei algumas metas, virei amiga de americanos, já participei de muitos eventos tradicionais, melhorei o meu inglês, vi troca de estações, presenciei 3 feriados nacionais, descobri o quanto é incrível o verão aqui, viajei muuuuito e finalmente, arrumei um namorado. SIMMMMM, aconteceu <3.

Para finalizar, dia 29 de agosto completei 6 meses em solo americano. Desde que cheguei tenho observado e apreciado muito nesse país. Hoje fico feliz por ter vindo morar em IOWA, esse meio do nada pelo qual me apaixonei. Reconheço que minha experiência não poderia ter sido melhor se tivesse ido pra alguma cidade mais afetada por outras culturas, como Nyc por ex. Onde estou tenho a experiência exata que queria ter. Vejo a pacata vida americana de cidade do interior (ainda que more na capital do estado) exatamente como via nos filmes. E estou feliz. Que os próximos meses venham, e que os próximos posts também.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Dates nos EUA: como superar?

Resultado de imagem para fotos de amor tumblr

(Hoje encontrei esse texto salvo nos meus rascunhos e decidi postar)

3 meses de Estados Unidos...

É engraçado achar que algum lugar ou um sonho realizado vai te completar.. cada vez tenho mais certeza de que a coisa mais importante na vida é o amor! Venho me descobrindo ultimamente uma carente incurável. Tem sido bem dificil aqui nos Estados Unidos conseguir suprir esse lado pessoal. Eu que sempre quis, loucamente, morar aqui, nunca cheguei a imaginar que a questão de morar em outro país poderia afetar um lado que eu sempre tive muita facilidade em manter, minha vida social.

Conhecer pessoas aqui é um fator que vem me decepcionando desde que cheguei. As diferenças culturais podem ser chocantes e por vezes, te arrasar. No meu caso, (e de algumas amigas que sofrem a mesma coisa), tenho perdido a auto-estima. Pra ser feliz nos EUA tem que ser muito CONFIANTE, ou os caras vão destruir o pouquinho de confiança que você tem. Não importa o quão linda, sexy e arrasadora você esteja, ou o quão legal, simpática e bonita você seja, os caras NUNCA vão chegar ou te chamar pra sair! Se um date acontecer, eles não dão o braço a torcer, vão se privar ao máximo de qualquer tipo de sentimento, e se afastar, em último caso, se não quiserem compromisso. Ainda to tentando descobrir se sou muito chata ou se os homens que tem medo. Ou posso apenas estar conhecendo as pessoas erradas.

Mas verdade é: que preciso paciência pra superar esse lado aqui. No primeiro mês, a cada fim de semana que saía de casa, era dificil voltar. Me sentia tão frustrada. E me perguntava como tinha vindo parar num lugar desse. Hoje as coisas estão caminhando melhores, pois dia a dia vou aprendendo a me adaptar, e apesar desse lado pesar, todas as outras coisas ainda superam essa falha. Sou muito feliz com as crianças e com minha vida aqui, tenho tudo que quero e, principalmente, segurança e conforto.

Essa semana estou indo pra Califórnia, fazer a viagem dos meus sonhos!!! A cada dia minha lista de objetivos aqui diminui, desde uma mera aquisição a algo mais significativo. E mesmo assim, nada preenche aquele buraco.. Aquele no fundo do peito, dinheiro nenhum compra, realização nenhuma alivia. Até sofrer de amor seria melhor. Porque antes ter algum pra ocupar a cabeça, do que ter o coração vazio.

Muitas vezes me pego aumentando o volume no máximo daquela música triste pra ver se sinto alguma coisa, procurando os filmes mais românticos possíveis pra me fazer chorar (eu sei que posso soar muito louca, risos) e tentando, assim, me aproximar de algum tipo de sentimento. É como se eu estivesse vivendo sob o efeito de uma anestesia. Nem as coisas mais extraordinárias conseguem me proporcionar um estado máximo de alegria, porque lá no fundo, falta algo quase imperceptível, mas que incomoda. É como sempre digo, uma vida sem amor é uma vida sem sentido.

Mais sorte pra nós e mais amor, por favor, não é mesmo?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Meu embarque finalmente chegou




Hello people, depois de dois meses sem aparecer aqui, estou de volta, e nos EUAAAAA!!!! Desculpemmmmmmmm!
Vou contar tudo sobre o meu embarque pra atualizar vocês.

É difícil depois de tanto tempo lembrar de tudo, mas vou tentar ser fiel ao máximo às minhas emoções como foram. Após meu match, fiquei mais uns dias na praia com a minha mãe (eu estava morando lá temporariamente), fui pro Guarujá numa viagem louca, e voltei pra minha cidade, pra curtir meu carnaval no tão esperado OBA! O carnaval foi um sucesso, e assim que acabou, já peguei carona com uma amiga e fui pra São Paulo tirar meu visto. Eu sentia que tava esquecendo alguma coisa pra levar no CASV e é claro que eu esqueci. Mas deu tudo certo, gracas a um despachante credenciado, que pra minha sorte estava lá, me tomando alguns milhoes (mentira, foi 20 reais).

Após minha visita ao consulado e o tão sonhado visto aprovado, faltavam 16 dias pra minha viagem. Mal podia acreditar! Era hora de começar as despedidas.. terminar as malas, preparar o emocional e aproveitar o máximo que eu pudesse. Na verdade, fiquei mais em casa, o pouco que acabei saindo foi suficiente pra fazer merda, mas isso já é oooutra história. Na sexta-feira antecedente ao meu embarque, recebi meus familiares em casa pra um jantar e assim me despedi de todos. No sábado a noite, lá estava eu, embarcando pra São Paulo, com três malas gigantes, sozinha, num ônibus. Por incrivel que pareça, de última hora eu e minha mãe brigamos quando deixei minha casa e de frente pro onibus tive que telefoná-la e pedir desculpas, foram inevitáveis as lágrimas que caíram. Aquele momento que vi meu pai ali, me deixando na porta do ônibus, doeu.. 

Cheguei às 7 da manhã do domingo na rodoviária de SP e fui recepcionada novamente por minha querida amiga Laura, que cuidou demais de mim nesses últimos dias. Às 4h da tarde já estava rumo ao aeroporto pra embarcar às 22h da noite. A partir daí tudo o que senti foi estranho.. e dificil de explicar. De alguma forma inacreditável, eu não estava ansiosa, eu não estava empolgada, eu não estava triste, nem feliz, ou pelo menos não o quanto deveria. EU NUNCA VOU SABER EXPLICAR COMO EU ESTAVA. Foi tudo tão normal. Não era a minha primeira vez ali, naquele aeroporto, naquela situação, de deixar o meu país por outro. A única coisa que mudava era o destino. Então acho que por isso a sensação já não era a mesma, a expectativa já não era a mesma. Eu havia aprendido a lidar com aquela situação e a novidade já não era tanta. Encontrei as outras au pairs que embarcavam comigo e ficamos juntas desde então, até aterrissar, até chegar ao hotel e até deixar o hotel. Até hoje troco mensagens com uma boa parte delas. <3

O voo foi tranquilo, felizmente peguei uma poltrona para o corredor (ja que adoro ir ao banheiro) e pude sair quantas vezes quis. Do meu lado estava uma au pair do Ceará, atras de mim uma de Sao Paulo, mais ao fundo algumas outras, e mais a frente algumas outras. O voo estava infestado de au pairs muito felizes. Com todas essas mantenho contato até hoje! Foram quase 11 horas de voo. Deixamos o Brasil mais de 22h da noite e chegamos a NY as 8h do horário de Brasilia numa segunda-feira (6h do horario daqui). Foi um voo infinito. Eu já nao tenho mais tanta paciência pra lugares desconfortáveis como costumava ter.. Embora tenha conseguido dormir uma boa parte, ainda foi bem desagradável aquela poltrona estreita e eu não via a hora de chegar. A comida foi ótima e as opções de entretenimento também. 

Quando finalmente senti as rodas do avião pousando, só conseguia pensar "eu nao acredito que estou aqui", "com certeza nao volto mais" (CALMA MAE!), "finalmente cheguei", e nesse momento, uma lágrima sorrateira fugiu ao meu controle. Um flashback de todos os filmes que vi e que me fizeram querer vir passou em minha cabeça. A felicidade invadiu. A sensação era de estar vivendo o sonho (que aliás é a que sinto até hoje), de ter alcançado meu objetivo, de que todos os problemas haviam acabado e que finalmente, minha vida começava. O que acabou mudando um pouco depois, pois hoje acredito que de fato uma nova etapa de minha vida comecou, mas a parte que mais me fez sentir viva foi o processo de tudo isso, onde os sentimentos sao mais intensos, porque exige esforço, exige luta, existe expectativa, existe preocupação. 

Desde que cheguei tudo tem sido muito fácil, tudo tem sido só sorrisos. Já não há mais obstáculos tão grandes. Não há dificuldades a não serem superadas, não há preocupações que não sejam efêmeras.. Nao há um só dia em que a tristeza supere a alegria. Existe saudade sim, existem lembranças, mas acima de tudo, existe alguém satisfeita por chegar onde chegou. Desde aquele dia que aterrissei no aeroporto de Nova York e vi o primeiro taxi amarelo, dentro de mim, só existia uma menina gritando "Agora nada é impossível!".


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Crônica de uma noite de insônia


Sexta à noite, em São Paulo, lá fora a cidade não dorme. Em casa, não durmo eu.

O relógio do celular aponta as 2:04 da madrugada. Eu poderia estar na balada ou cercada de amigos em qualquer canto, bebendo ou fazendo o social, em algum restaurante ou um barzinho descolado. Poderia até ser um boteco. Poderia ser o banco de uma pracinha deserta de cidade do interior. Poderia ser a casa da bff com netflix e brigadeiro. Poderia ser uma noite de karaokê com as amigas. Mas não amigos. Essa Mariana está cansada.

Esse post não é sobre querer um namorado. É sobre querer se apaixonar.

Ser solteira é uma das liberdades que aprendi a valorizar depois de dois relacionamentos "fracassados". Nada no mundo compra o prazer da minha liberdade hoje. Ser livre pra fazer escolhas é a felicidade dos novos românticos. E digo novos românticos porque gostar de ser solteiro não significa não ter sentimentos! Quando eu gosto movo mar e montanhas pra ficar com a pessoa. Mas enquanto alguém tão significativo não aparece, não me permito dores de cabeças irrelevantes. Porque amores efêmeros não merecem meu tempo.

Gostar de ser solteiro não é sinônimo de desapego não, minha gente! Solteiro também gosta e solteiro também sofre. Nossa dor é diferente, porque normalmente se deve à não ter a pessoa desejada, e não à enfrentar problemas com aquela pessoa. É um sentimento meio platônico, ligado ao inalcançável.

Enquanto alguém que vale a pena não aparece frequento todos os programas comuns à pessoas do meu status: bar, festas, balada, e qualquer outro programa, porque ser solteiro não significa não poder ir ao cinema sozinho, ou não poder passar a sexta à noite em casa. Malditas convenções sociais.

Mas chega uma hora que, um tempo depois do término de um grande/difícil/torturante relacionamento, a novidade dessa liberdade passa. E então esse tão incrível mundo do "não devo nada pra ninguém" deixa de te fascinar. 

Ir a uma micareta e ver pessoas se beijando aos montes passa a não fazer sentido pra você. Sério mesmo, qual a graça nisso? Você começa a acreditar que encher a cara é estúpido. O efeito entorpecedor do álcool nas suas veias te desinibindo deixa de ser tão atrativo. É sempre a mesma coisa. Alegria excedida, liberdade, empolgação, perda de consciência (em alguns casos), fazer besteira. E mesmo permanecer no nível da alegria excedida não te leva à nada, a não ser, ser o que você não consegue sem a ajuda desse "amigo", e é ridículo pensar que você precisa dele pra se sentir bem e se divertir.

Paquerar cansa.. Porque dá um trabalho danado fazer parte desses joguinhos que a paquera requere. Sério, acho que meu cérebro não acompanha mais o ritmo. Chega um momento que dá preguiça ir a uma balada e ter que encarar aquele cara que você achou gato pra caralho, mas que é tão gato que não vai chegar nunca em você, ou porque sabe que é gato e acha que o universo gira em torno dele, ou mesmo ter que rejeitar aquele insistente chato, ou aquele sem noção que já chega colando a boca na sua..

E então, de repente você se vê no sofá de casa sexta-feira à noite e tudo o que você precisa é um abraço, um cafuné ou um chamego de alguém que te conforte o coração. E não precisa ser amor. Eu to falando de paixão.. a paixão me encanta, porque é um sentimento tão intenso e ao mesmo tempo, passageiro. É o sentimento perfeito para o tipo de pessoa que não quer um compromisso, mas quer sentir algo. Porque não sentir nada nos deixa tão vazios. E por isso aliar uma dose de sentimento à essa dose de libertinagem.

Encontrar alguém que a sintonia bate, mas os estilos de vida não permitem que fiquem juntos, e mesmo assim, se esforçarem pra viver aquela aventura, que ambos sabem, tem data de validade, é para os fortes.. para os que arriscam. E não tem coisa melhor do que isso, se entregar à uma pessoa, independente se vocês vão namorar! Apenas pela emoção do MOMENTO.

Porque a vida, meus caros, é feita de momentos! Então parem de mimimi. A necessidade da carne existe pra todos, e a do coração também. Viva os romances casuais e os corajosos! Porque uma vida sem sentimento é uma vida sem sentido.

E Deus me livre dos covardes, desse mal eu não morro.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Tive o match!


Hello people,

Lembra da primeira família que contei que sumiu após nosso skype? Então.. Vou continuar a contar a história a partir daí.

Depois daquele primeiro desastroso skype e a família desaparecer sem nenhum email, passei a semana, deprimida, tentando entender porque eles haviam sumido. Afinal, a host mom tinha dito que achou meu perfil perfeito e nem acreditava que eles eram minha primeira família (e eu fiquei toda orgulhosa né!). Passei a semana toda pensando neles, pesquisando sobre aquela cidade, conversando com várias pessoas sobre toda a história e analisando se eu deveria ir atrás deles, se valia a pena. Coloquei os prós e os contras na balança e então decidi que queria aquela família e ia tentar de novo.

Dia 18 de janeiro, uma semana após o nosso skype e muito pensar, criei coragem e na fé, mandei um email para a host mom. Comecei dizendo que desde o nosso skype não conseguia parar de pensar neles. Depois me desculpei pelo meu inglês, dizendo que estava nervosa, mas garantia que podia falar muito melhor que aquilo e pedi uma nova chance, prometendo que ia provar que eu era a melhor au pair para aquelas crianças (sim, olha que convincente! hahaha). A host me respondeu dizendo que também tinha gostado muito de me conhecer, mas que como eles estavam em rematch, ela decidiu procurar por meninas já em rematch, pois conseguiriam chegar mais rápido lá, mas que nenhuma havia interessado ela. Fomos mais prudentes e dessa vez marcamos um skype para o dia seguinte.

Passei o dia tooooodo respondendo aquelas questões do post anterior para estar bem afiada para nossa entrevista. Dessa vez, Daphne, a menina de 3 anos, estava na sala brincando, e a bebê de 6 meses estava na cozinha com o pai, que me cumprimentou de longe. Conversamos bastante durante o skype e fiz amizade com a menina Daphne, que toda hora aparecia na frente do computador para trocar palavras comigo ou jogar um lençol sobre a tela na tentativa de brincar de esconde-esconde. A host terminou dizendo que adoraria ter o match comigo e que ia me mandar um documento com as regras da casa para que eu pudesse pensar bem e fazer a decisão certa, e no dia seguinte poderíamos ter outro skype. Eu ofereci à ela as 80 questões que havia respondido, porque tinha comentado sobre elas, e fiquei de mandá-las por email. Yes! Ela tinha dito match?

Quando recebi aquele email, que susto! Eram três documentos: um com as regras da casa, um com a rotina das meninas e um com os meus horários. Meu deus, quanta regra! Eram regras do tipo: não tachar ou pendurar nada nas paredes do quarto sem permissão, não levar hóspedes sem permissão, dirigir dentro de um raio de x milhas com as crianças no carro, verificar o cinto de segurança nelas 3 vezes, não sair do estado com o carro, etc. Conversei com várias meninas perguntando se era normal ter tantas regras e elas disseram que sim, e que famílias que não tinham regras eram desorganizadas. Então ponto positivo pra eles. Minha host poderia ser sistemática e extremamente organizada, mas pelo menos isso pode significar que ela nao quebrará as regras, ja que espera que eu não o faça. Essas regras me ajudaram bastante a elaborar as minhas perguntas para ela, afinal, agora era a minha vez. Todas as dúvidas que tinha coloquei num documento e mandei por email. Eram 26 questões no total.

No nosso terceiro e último skype a host estava sozinha em casa com as crianças. Ela me mostrou a casa toda e, sim, meu quarto é lindo <3 tenho uma cama king size, mas a tv é uma porcaria velha. Tenho banheiro no quarto e btw, tenho meu próprio carro! E então ela foi alimentar as crianças na minha frente, me fazendo sentir já bem integrada e próxima à eles. Enquanto ela alimentava Anastasia, a bebê, Daphne me oferecia chazinho e a janta de mentirinha que ela estava preparando. Como amei aquelas crianças! A host respondeu todas as questões que mandei pra ela ali, ao vivo, e disse que eu tinha ótimas perguntas, e também que as 80 questões que mandei haviam sido muito úteis. No final da conversa ela disse estavam muito felizes em ter o match comigo e que iria me mandar a proposta oficial. Felicidade definia. Era sexta-feira, 22 de janeiro, o dia que aceitei meu match, após 3 conversas de 50 minutos cada por skype!

Estou indo para West Des Moines, subúrbio de Des Moines, a capital do estado de Iowa. Posso estar indo para uma porcaria de cidade, who knows?, só vou descobrir lá, mas já pesquisei bastante, inclusive, JÁ fiz amizades! (thanks to okcupid), e parece que não vou me arrepender. Em um mês estarei em New York para o treinamento da APC e não vejo a hora de por os pés na terra do Tio Sam. Nesses 11 dias desde o match já teve stress, correria, pulos de felicidade, choro de saudade.. Mas o que prevalece é, definitivamente, um misto de serenidade e equilíbrio por estar tudo caminhando bem, com a ansiedade e expectativa por, finalmente, estar tudo caminhando para o rumo esperado. Agora só estou curtindo imensamente esse país maravilhoso e fazendo tudo que tenho vontade, sem perder oportunidades, pois já sei que vou sentir MUITA saudade! 

Agora vem Carnaval! 

Beijos people!